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Produção industrial cai 0,8% em agosto, diz IBGE

03/10/2017

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A produção da indústria brasileira caiu 0,8% em agosto frente a julho, informou nesta terça-feira (3) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a primeira queda após quatro altas seguidas - nesse período, o crescimento acumulado foi de 3,3%. Em comparação com agosto de 2016, no entanto, houve crescimento de 4% - melhor resultado para o mês desde 2010.


O setor de produtos alimentícios caiu 5,5%, depois de três meses consecutivos de crescimento, e foi o que mais contribuiu para a queda do índice, seguido por máquinas e equipamentos (-3,8%); coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,6%) e indústrias extrativas (-1,1%).


O gerente da pesquisa, André Macedo, afirma que a produção de açúcar teve forte contribuição tanto para as altas registradas anteriormente na indústria de alimentos quanto para a queda de agosto. “O açúcar é um produto com peso nesse setor. Sua produção foi favorecida pela antecipação da moagem da cana, em decorrência do clima seco que predominou nas regiões Centro-Oeste e Sudeste nos últimos meses”, explica.


No acumulado do ano até agosto, o avanço do setor industrial é de 1,5%, e no acumulado de 12 meses, a queda é de 0,1%, prosseguindo com a redução no ritmo de queda iniciada em junho de 2016 (-9,7%), segundo o IBGE.


Macedo explicou que a queda da produção frente a julho foi concentrada em poucos grupos, mas de muita relevância, e não significa um rompimento de tendência, e sim um movimento pontual e concentrado, sem mudar a conjuntura.


De acordo com o instituto, em agosto, o setor industrial volta a mostrar em agosto menor ritmo produtivo, com a queda de 0,8% eliminando parte do ganho de 3,3% acumulado em quatro meses consecutivos de crescimento na produção. Contudo, mesmo com o total da indústria mostrando queda, houve predomínio de taxas positivas, já que 16 dos 24 ramos investigados apontaram avanço na produção.


O IBGE ressalta que, mesmo com o ganho de ritmo observado a partir de novembro de 2016, a produção da indústria recuperou apenas pequena parte das perdas registradas nos últimos anos e ainda encontra-se 17,8% abaixo do nível recorde alcançado em junho de 2013.


Por setores


A queda de 0,8% da atividade industrial na passagem de julho para agosto mostrou taxas negativas em duas das quatro grandes categorias econômicas e em 8 dos 24 ramos pesquisados.


Entre os setores, a principal influência negativa foi registrada por produtos alimentícios, que recuou 5,5%, interrompendo três meses consecutivos de expansão na produção, período em que acumulou ganho de 9,3%. Outras contribuições negativas importantes sobre o total da indústria vieram de máquinas e equipamentos (-3,8%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,6%) e de indústrias extrativas (-1,1%).


Entre os 16 ramos que ampliaram a produção, os desempenhos de maior relevância para a média global foram assinalados por veículos automotores, reboques e carrocerias (6,2%) e perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (5,5%).


Entre as grandes categorias econômicas, bens intermediários (-1%) e bens de consumo semi e não-duráveis (-0,6%) apontaram as taxas negativas em agosto, com o primeiro interrompendo quatro meses consecutivos de crescimento na produção, período em que acumulou expansão de 3,6%; e o segundo voltando a recuar após mostrar ganho de 3,2% entre os meses de maio e julho.


Por outro lado, o segmento de bens de consumo duráveis, ao avançar 4,1%, assinalou a expansão mais acentuada em agosto e intensificou o crescimento de 2,9% em julho. O setor produtor de bens de capital (0,5%) também registrou resultado positivo, assinalando o quinto mês seguido de crescimento, com ganho acumulado de 10,2%.


Variação entre as grandes categorias econômicas frente a julho


Bens de Capital: 0,5


Bens Intermediários: -1,0


Bens de Consumo: 0,3


Duráveis: 4,1


Semiduráveis e não Duráveis: -0,6


Na comparação com agosto de 2016, o setor industrial teve resultados positivos nas quatro grandes categorias econômicas, em 20 dos 26 ramos, em 54 dos 79 grupos e em 55,7% dos 805 produtos pesquisados.


O ramo de veículos automotores, reboques e carrocerias (28,2%) exerceu a maior influência positiva, impulsionada, em grande parte, pela maior fabricação dos itens automóveis, caminhões, veículos para transporte de mercadorias, caminhão-trator e autopeças.


Outras contribuições positivas vieram de produtos alimentícios (4,7%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (22,1%), de indústrias extrativas (2,6%), de produtos do fumo (63,0%), de produtos de borracha e de material plástico (4,9%), de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (11,0%), de produtos diversos (14,2%) e de móveis (12%).


Bens de consumo duráveis (18,5%) e bens de capital (9,1%) assinalaram os avanços mais acentuados entre as grandes categorias econômicas. No primeiro caso, foi a 10ª taxa positiva consecutiva e a mais elevada desde maio (20,8%), impulsionado pelo crescimento na fabricação de automóveis (33,3%), eletrodomésticos da “linha marrom” (15,1%) e de móveis (6,5%).


No segundo caso, foi o 4º resultado positivo consecutivo e o mais elevado desde dezembro de 2016 (16,7%), influenciado pelo avanço de bens de capital para equipamentos de transporte (19,8%), puxado pela maior fabricação de caminhões, veículos para transporte de mercadorias e caminhão-trator.

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